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ESPORTE

João Fonseca assombra o mundo, derruba Casper Ruud e resgata o espírito de Guga em Roland Garros

Com uma exibição de gala na Philippe-Chatrier, o jovem brasileiro de 19 anos suportou a pressão, despachou o duas vezes finalista do torneio por 3 sets a 1 e garantiu vaga inédita nas quartas de final

O saibro sagrado de Roland Garros testemunhou, neste domingo (31), a consolidação definitiva de uma nova era para o tênis brasileiro. Apenas 48 horas após protagonizar uma virada épica contra a lenda Novak Djokovic, o jovem carioca João Fonseca, de 19 anos, provou que o céu é o limite. Em uma batalha física e mental que durou quase quatro horas na mítica quadra central Philippe-Chatrier, Fonseca ignorou o favoritismo do norueguês Casper Ruud — atual número 16 do mundo e duas vezes finalista em Paris — e venceu por 3 sets a 1, com parciais eletrizantes de 7/5, 7/6 (10-8), 5/7 e 6/2.

O triunfo não foi apenas uma vitória tática; foi um rito de passagem histórico. Ao selar a classificação, Fonseca tornou-se o primeiro brasileiro a alcançar as quartas de final de simples masculino em um Grand Slam desde que o tricampeão Gustavo Kuerten, o eterno Guga, o fez em 2004, exatamente no mesmo palco. E o destino quis que a história fosse escrita sob o olhar do próprio ídolo: Guga estava na primeira fila da tribuna, aplaudindo de pé e visivelmente emocionado com o jogo agressivo de seu sucessor.

Gelo nas veias e o temido forehand

Diferente das rodadas anteriores, quando precisou buscar viradas dramáticas após sair perdendo por 2 a 0, Fonseca entrou em quadra ditando o ritmo. O primeiro set foi um duelo de xadrez em alta velocidade, decidido no detalhe. Com o placar empatado em 5/5, o brasileiro acelerou suas devoluções, quebrou o serviço do norueguês e fechou em 7/5 após 56 minutos de pura intensidade.

O segundo set entrou direto para a antologia do torneio. Foram 1h23 de uma disputa brutal de fundo de quadra. Ruud, especialista na terra batida, tentou encurralar o brasileiro, mas a direita (forehand) de Fonseca funcionou como um míssil. A decisão foi para um tie-break dramático. Demonstrando a maturidade de um veterano, o garoto salvou set points e fechou a parcial em um incrível 10-8 no desempate.

Houve tempo para o drama. No terceiro set, Ruud usou toda a sua experiência para aproveitar uma leve oscilação física de Fonseca, que vinha de duas maratonas de cinco sets nas rodadas anteriores. O norueguês quebrou no final e anotou 7/5, dando sinais de que poderia inflamar o confronto.

O atropelo final rumo à história

Mas quem esperava um recuo do garoto assistiu a um show de personalidade no quarto set. Esbanjando pernas e variando o arsenal com curtinhas milimétricas e lobs perfeitos, João Fonseca simplesmente desmantelou o jogo de Casper Ruud. Abrindo vantagem com duas quebras consecutivas, o brasileiro colocou o adversário na lona e fechou o atropelo por 6/2, sob os gritos ensurdecedores de uma torcida parisiense já completamente rendida ao seu carisma.

"Foi incrivelmente duro. Tive que jogar o meu melhor tênis nos momentos de pressão", declarou Fonseca na entrevista ainda em quadra, olhando emocionado para a arquibancada onde estava Kuerten. "Ter o Guga aqui assistindo e me apoiando é a realização de um sonho de criança."

Com a vitória, João Fonseca sobe ainda mais no ranking e avança para enfrentar o tcheco Jakub Mensik nas quartas de final. O "Meteoro" brasileiro não está apenas jogando tênis em Paris; ele está reescrevendo a história do esporte nacional com a raquete nas mãos.

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